Textos e Estudos Bíblicos
ESPALHANDO A MISERICÓRDIA DE DEUS PDF  | Imprimir |  E-mail
Escrito por Redação CBB   
Seg, 13 de Abril de 2015 09:27

ESPALHANDO A MISERICÓRDIA DE DEUS

Lucas 6.32-36

O Deus cristão que a Bíblia apresenta, comparado com os deuses de outras religiões, parece um Deus “mole e fraco”: ele perdoa, ele não usa a força para convencer, ele não se defende. O Deus cristão ajuda a todos, quer creiam nele, quer não. Uma pessoa nega a sua existência, outra o amaldiçoa, mas ele prossegue no firme intento de abençoar estas pessoas com a vida, família, trabalho, dinheiro, produção, amigos, etc. E mais, ele se gloria exatamente nisto, pois diz que é sua graça e misericórdia e ele tem prazer em ser e agir assim. Ele está tão seguro deste modo de ser que quer que seus discípulos, através de Jesus Cristo, o imitem. Esta é a mensagem de Jesus em Lucas 6.32-36.

Nos v. 32-34, Jesus faz três perguntas retóricas a seus discípulos: em que se demonstra em nós a graça de Deus se amamos quem nos ama? O que há de mais em fazer o bem a quem lhe faz o bem? O que há de mais para os discípulos se eles emprestam a pessoas que eles têm a certeza que vão devolver? Jesus diz que estas atitudes são tão comuns no mundo que até pessoas que chamamos de ruins fazem isto. Ao fazermos estas atitudes, estamos nos nivelando ao normal das pessoas, ao senso comum. Jesus pergunta-nos: “o que há de mais nisso?”. A resposta é: nada. Ser discípulo de Jesus é ir além do senso comum. É fácil amar os iguais mas Jesus quer que amemos os diferentes de nós.

O que Jesus quer que façamos então? Ele mesmo diz: “amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles, sem esperar receber nada de volta” (v. 35). Em outras palavras: amem, sem reservas, os diferentes de vocês! Jesus nos propõe aceitar um estilo constante de vida na qual vamos nos tornando, não sem esforço, pessoas graciosas e misericordiosas com todos: à pessoa que nos faz o mal, às pessoas difíceis e que não dão retorno às nossas ajudas. Ele nos chama a fazer o bem a todos e dar sem esperar receber de volta. Como evangélico que sou vejo a tremenda dificuldade de nosso grupo em obedecer estas palavras de Jesus. Nós, que somos evangélicos, só amamos os que também são deste grupo e olhe lá! O que aprendo com Jesus aqui é que, como evangélico, tenho que amar, sem reservas, os que praticam outras religiões: os católicos, espíritas, adeptos do candomblé e macumba, testemunhas de Jeová, muçulmanos, entre outros. Amar os ateus. Amar aqueles que têm uma prática de vida diferente daquela que ensinamos: os homossexuais, os adúlteros, os fornicadores, os corruptos, os violentos, os pedófilos, os criminosos. Ao amá-los, não estamos concordando com práticas e fés que julgamos erradas. Não vamos também, na hora certa, deixar de falar daquilo que julgamos ser a verdade da crença e da ética. O que quero dizer é que os atos de amor, graça e misericórdia precedem qualquer tipo de diferença que venhamos a notar. Amar, primeiro; julgar, bem depois, e só se for necessário para o exercício do amor.

Quando agimos assim, com misericórdia e amor acontecem duas transformações conosco. A primeira transformação é que nos tornamos ricos diante de Deus (v. 35). Parece que estamos perdendo, ficando por baixo dos outros mas Jesus diz que nossa recompensa será grande diante de Deus. Há um grande lucro pessoal em agir assim. A segunda transformação é que nos tornaremos filhos do Altíssimo. Jesus disse: “porque ele é bondoso para com os ingratos e maus”. Veja bem o que está escrito no texto: Deus é bondoso para com os ingratos e maus! Deus age desse jeito com gente que não presta, não merece, mas ele age assim porque ele é assim. Cada vez que assumimos o estilo de vida de agir com misericórdia e graça, nos tornamos parecidos com o Pai celestial. Filhos que carregam o mesmo DNA do Altíssimo.

Deus está sendo misericordioso agora (v. 36). A maior demonstração da misericórdia e amor de Deus foi a morte de Jesus na cruz para pagar o pecado dos pecadores. O apóstolo Paulo diz: “mas Deus demonstra o seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (Romanos 5.8). Será que você consegue entender e crer na misericórdia de Deus em seu favor e de todas as outras pessoas da humanidade? Torne-se misericordioso também, como ele é.

Fui criado no grupo chamado “evangélico” e tornei-me um deles por vontade pessoal quando ainda era criança e entreguei minha vida a Jesus. Mas confesso que ainda estou muito longe de ser uma pessoa do tipo que Jesus falou. Tenho muita dificuldade em amar o diferente, àquele que se opõe a mim. No entanto, tenho tentado sair dos preconceitos do meu “gueto” evangélico, enraizados na minha vida, a fim de olhar o outro com amor. Que Deus continue a ter misericórdia deste pecador que sou eu, e continue me transformando à sua imagem.

 
A RADICALIZAÇÃO DO DISCIPULADO PDF  | Imprimir |  E-mail
Escrito por Redação CBB   
Qua, 01 de Abril de 2015 11:04

A RADICALIZAÇÃO DO DISCIPULADO

Lucas 6.27-31

Quando dizemos a alguém: “você radicalizou”, dizemos que ele tomou uma atitude extrema, não comum. A radicalização indica que a pessoa tomou uma decisão e vai seguir nela, mesmo contra a opinião da maioria. No texto de Lucas 6.27-31, Jesus radicaliza seu discipulado: poucos se enquadrarão aqui.

Jesus manda amar (este é o verbo que ele mais gosta), o tempo todo, não os amigos, mas os inimigos (v. 27). Ninguém nunca ensinou isto. Olhe todas as religiões e filosofias que não tenham a ver com o cristianismo e você encontrará que a atitude com o inimigo ou é de combate ou de indiferença. De onde Jesus tirou esta ideia revolucionária de amar os inimigos? Certamente, da atitude de Deus, seu Pai. O Pai de Jesus ama seus inimigos: “porque Deus AMOU O MUNDO de tal maneira que deu seu único Filho ...”. Esta demonstração de amor ao inimigo é realizada pela pessoa como um todo mas Jesus menciona três áreas da vida para exemplificar o que ele está dizendo. A primeira área é a das atitudes: “façam o bem aos que os odeiam”. Por amar, faz-se o bem e não o mal àqueles que claramente não gostam de nós. Veja que a atitude de fazer o bem é toda do discípulo de Jesus e não da outra pessoa. Não é um “toma lá, dá cá” e jamais uma vingança. São atos claros de bondade. A segunda área mencionada por Jesus tem a ver com as palavras: “abençoem os que os amaldiçoam” (v. 28).

Por amar, sempre falamos bem daquele que fala mal de nós. Jesus não está dizendo que devemos mentir, bajular ou esconder a realidade da outra pessoa e sim que a palavra de seu discípulo só é dita se for para fazer bem, principalmente a quem o amaldiçoa. A terceira área é a dos desejos: “orem pelos que os maltratam”. Geralmente, oração é feita quando a pessoa está só, ela e Deus. Se quando está sozinha, ela é capaz de orar em favor do inimigo, isto significa que seus desejos estão marcados pelo amor. Em todos estes exemplos, fica claro que o outro continua a fazer o mal mas o discípulo de Jesus toma a atitude radical de só fazer o bem, de amar. Leitor: esta tem sido sua atitude? Você vive desta maneira? Ou você segue a correnteza da normalidade “dando o troco” a quem lhe faz o mal ou, quando muito, tornando-se indiferente àquela pessoa? Se você é discípulo de Jesus comece a mudar o rumo de sua vida para ajustar-se ao que o Mestre falou aqui.

Mas a radicalização de Jesus continua. Ele vai dizer: “se alguém lhe bater numa face, ofereça-lhe também a outra. Se alguém lhe tirar a capa, não o impeça de tirar-lhe a túnica” (v. 29). Esta é uma das ordens mais mal compreendidas de Jesus. Aqui ele não quer ser entendido literalmente. E isto é fácil de provar. Leia João 18.19-23 e vai ver que um soldado do sumo-sacerdote deu uma bofetada em Jesus quando ele estava amarrado e ele não deu a outra face! Pelo contrário, chamou a atenção do soldado que lhe bateu. Naquela ocasião, ele não deu a outra face mas lembre-se que, pouco tempo depois, deu a vida! O que então ele queria dizer com “dar a outra face”? “Assombrar” o outro (que bate em nós) com uma decisão passiva totalmente inesperada: não se vingar, de forma alguma. O discípulo de Jesus toma uma decisão ativa de abençoar e ajudar quem lhe faz o mal. Já vi e ouvi falar de muitas pessoas que, sendo roubadas por adolescentes ligados ao tráfico e às drogas, resolveram ajudar uma ONG que trabalha na recuperação deles. Isto é dar a outra face! Quando morava no Nordeste, vi a reportagem de uma mulher crente no Recife que, tendo perdido o único filho morto num assalto, procurou o assassino do filho na prisão e disse a ele: “você matou o meu filho e, de agora em diante, eu vou cuidar de você e resolvi adotá-lo como meu filho no lugar daquele que você matou”. Isto é dar a outra face!

No v. 30, Jesus diz que devemos encontrar maneiras de ajudar as pessoas. De sermos generosos, repartindo com quem precisa aquilo de que podemos dispor. De sermos solidários e amigos com as pessoas. Será que Jesus queria transformar seus discípulos em gente trouxa e frouxa, de quem os outros se aproveitam? Penso que não, porque ele sempre ensinou a dignidade de cada ser humano. O que ele queria, para seus discípulos, com esta mensagem radical? Primeiro: que eles fossem ativos promotores do bem e do amor num mundo mau e violento. Que esta seja a nossa característica de vida. Segundo: ele nos quer fazer parecidos com Deus. Não pode ser o normal do mundo, tem de ser diferente, tem de radicalizar.

Jesus termina este parágrafo com o princípio que norteia todas estas atitudes: “como vocês querem que os outros lhes façam, façam também vocês a eles” (v. 31). O discípulo não fica esperando que os outros lhe façam o bem para ele retribuir com mais bem. Ele toma a decisão de fazer o bem primeiro, independente da atitude do outro. Algo incrível acontece quando se age assim: o bem sempre retorna para você. Mas, o mais importante, é que você fica parecido com Deus.

 
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